A luta das mulheres iranianas lutam pelo direito de frequentar estádios

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No dia 5 de setembro, Teerã, a capital do Irã, recebeu a visita de algumas dezenas torcedores da Síria, interessados em acompanhar a última rodada das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de Futebol de 2018. Mas a partida chamou atenção no país por um motivo alheio ao que aconteceu em campo.

Enquanto a arquibancada destinada à torcida Síria contava com algumas mulheres torcendo por seu país, as iranianas que queriam acompanhar sua seleção foram barradas na porta do estádio. Como acontece em todos os jogos de futebol que acontecem por lá.

Torcedoras sírias em Teerã (Foto: Abedin Taherkenarek/EPA)

Desde 1979, quando aconteceu a chamada Revolução Iraniana, quando o país se tornou uma república islâmica, as mulheres são proibidas de frequentar jogos de futebol no país. Isso porque, de acordo com as autoridades locais, elas não deveriam estar expostas aos xingamentos frequentes nos estádios.

A desculpa perdeu (ainda mais) credibilidade a partir de 2012, quando as mulheres também passaram a ser proibidas de frequentar jogos de vôlei – esporte para o qual muitas se voltaram por não poder acompanhar o futebol, e que tem cada vez mais fãs no país por causa do sucesso da seleção local.

O sistema de vendas de ingressos para jogos de futebol nem permite solicitar entradas para mulheres, mas elas estavam liberadas para Irã x Síria, o que fez algumas mulheres acreditarem que a regra estaria suspensa – atendendo inclusive um pedido da FIFA para que o governo iraniano permita a presença de mulheres nos jogos de futebol.

Torcedoras iranianas barradas no estádio (Fotos: Elham Yazdiha)

Porém, elas foram barradas nas catracas do estádio Azadi (cujo nome, ironicamente, significa Liberdade), e os responsáveis declararam que a venda para mulheres foi fruto de um erro técnico. Ver as torcedoras sírias no estádio e as iranianas protestando fora chamou atenção no país.

Elham Yazdiha, uma jornalista esportiva independente, questionou a falta de critério das autoridades. Já Banafsheh Jamali relatou que a polícia tirou muitas fotos das mulheres que estavam protestando em frente ao Azadi antes de ameaçar prende-las e pegar seus ingressos. Ela acabou apagando o tweet algum tempo depois de publica-lo.

O assunto chegou à política, e a parlamentar Fatemeh Hosseini questionou a medida, dizendo que “a condição para mulheres serem permitidas em eventos esportivos é ser da nacionalidade do oponente do Irã”. Ela ainda escreveu uma carta endereçada ao Ministro dos Esportes para questionar quais medidas seriam tomadas para acabar com a discriminação.

O governo local não respondeu aos pedidos pelo fim da proibição da presença feminina nos eventos esportivos, mas o episódio serviu para inflamar um debate crescente no país.

Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano, pediu, em 2006, que os responsáveis preparassem um plano para permitir uma maior presença de mulheres nos esportes, mas a ideia foi deixada de lado após fortes críticas de autoridades religiosas.

Ali Karimi, ex-jogador iraniano e atual técnico de um dos times mais populares no país, pediu no meio deste ano que o veto a mulheres fosse reconsiderado, ressaltando que essa era uma demanda de milhões de fãs. Masoud Shojaei, atleta da seleção de futebol, disse que “se o veto fosse abandonado, seria preciso construir um estádio para 200 mil pessoas, pois a paixão das mulheres iranianas pelo esporte é visível”.

Como os governantes se recusam a modificar a regra, muitas iranianas aproveitam eventos esportivos internacionais que acontecem no país, em qualquer modalidade que seja, para tentar entrar nos estádios e chamar atenção para a prática discriminatória. E não pretendem parar até que seu desejo de igualdade seja atendido.

Com informações do Iran Human Rights.

Via Hypeness

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