Paula Cavalciuk lança clipe sobre menstruação e sua importância na vida da mulher

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Para Paula Cavalciuk “menstruar fez toda a diferença”. A cantora e compositora radicada em Sorocaba viveu a infância num lugar muito simples, onde a taxa de mortalidade infantil era altíssima, onde a mãe militava na Pastoral da Criança para tentar mudar a realidade daquele Vale do Ribeira.

Em entrevista exclusiva ao Hypeness, a cantora que acabou de se apresentar no Rock in Rio, diz que “o futuro idealizado para as meninas naquele lugar era chegar à vida adulta e arranjar um bom casamento”.

Para alguém que tinha pais mais velhos e católicos, estava potencializava a rigidez na educação e os dogmas matrimoniais.

Embalada pela melodiosa guarânia paraguaia, “Morte e Vida Uterina”, faixa que abre o álbum “Morte & Vida” (2016), é uma saudosa e dolorida canção sobre a puberdade da mulher e seus tantos questionamentos.

Inspirada nesta idiossincrasia dos ciclos da vida, a faixa passa um sentido de pertencimento, um reconhecer que é inerente à mulher e às sucessivas transformações trazidas pela menstruação.

“No dia em que menstruei, eu brincava de polícia e ladrão na vizinhança. Por mim, eu brincaria até hoje, mas a partir daquele momento eu percebi que agora era julgada pelos meus peitos que cresciam, pela minha bunda, e mais: eu seria culpabilizada e julgada por toda a opressão que viria a ser cada vez maior e que eu só entenderia que se tratava de violência de gênero, na vida adulta”.

Agora sendo lançada com videoclipe oficial, “Morte e Vida Uterina” ganha mais significado com as cenas protagonizadas por uma menina que vai se tornando mulher e no caminho é destruída e se reconstrói muitas vezes. Sobre o assunto, Paula se posiciona: “Tive que me emancipar. Vivendo a infância no Vale do Ribeira, e a adolescência em Tapiraí, eu sentia que precisava de mais, queria buscar outras realidades além de um casamento precoce e a maternidade como uma regra”.

Assista ao clipe “Morte & Vida Uterina”:

Assinado pelo diretor Daniel Bruson (premiado com o curta “Pete’s Story”, no Anima Mundi 2016, e diretor de arte da série “Angeli The Killer”), o vídeo é um stop motion feito com objetos cotidianos e animados quadro a quadro. A escolha por materiais como folhas secas, botões, recortes de revistas, jornais, fotografias, lãs e correntes dá às imagens uma textura de vida. Bruson, que também dirigiu o clipe anterior de Paula, “O Poderoso Café”, assina agora com ela o argumento, produção, animação e montagem, totalizando seis meses para criar o clipe. “Relacionei aquele momento em que a personagem tem um corpo fluido como uma corrente de metal, por exemplo. Ou então, os recortes de revista representando a personagem cercada por uma “floresta de pernas”, que se dobram e se amassam tentando cercá-la”, contextualiza seu processo criativo.

Usando uma metáfora sutil sobre resiliência, os óculos vermelhos de aro redondo, já uma característica marcante de Paula Cavalciuk, são o único objeto que se conserva em meio a tantas mudanças, mostrando uma essência que não se abala durante os ciclos. “Quando me mudei para Sorocaba, aos 19, pouca coisa mudou, pois eu precisava me manter e trabalhava em subempregos, estágios na área de administração pra me manter morando longe dos meus pais. Eu decepcionei meu pai quando me demiti de uma multinacional para viver de música.”, confessa.

O novo vídeo soma ao catálogo de clipes lançados pela cantautora junto com a apresentação de Paula Cavalciuk no Rock in Rio, parte da ação #SKYRocks, que consistia em levar quatro artistas para uma road trip até o Rio de Janeiro e usar o material para a série Na Rota do Rock, produzida pela Sky Brasil. A agenda de shows com turnê pelo sul e sudeste, entre outubro e novembro. Após essas datas, Paula e banda embarcam para shows no Nordeste e Norte para reforçar seu discurso: “O empoderamento feminista foi crucial para eu parar de me autosabotar. É libertador, mas às vezes parece que nunca é suficiente. Parece que todo dia a gente tem que desconstruir alguma coisa em si, para querer desconstruir no outro.”

Sobre os planos para o futuro, Paula racionaliza: “Os tempos são difíceis, os julgamentos cruéis, os diálogos rasos e excludentes. Nisso eu vejo a música como facilitadora. Quero que minha música se comunique de forma sincera com as pessoas. Infelizmente meu pais não viveram para ver um show meu, mas de certa forma pavimentaram o meu caminho pra eu chegar aqui. Minha mãe era a maior feminista que eu conhecia, mesmo antes de saber o que era feminismo. Quando eu canto, eu sinto a presença e o apoio dela. É por ela, que se casou aos 16. É pela minha avó, que pariu 17 filhos. Eu sigo por mim e por todas”.

Ficha técnica clipe “Morte e Vida Uterina”:
Direção, animação, roteiro, montagem: Daniel Bruson
Argumento: Paula Cavalciuk e Daniel Bruson
Assistência de Produção: Rafael Bruson Moretti
Produção Executiva: Samantha Alves Silveira
Assessoria de Imprensa: Mariângela Carvalho

Agenda:
8/outubro: Festival Febre | Sorocaba (SP)
11/outubro: Itapeva (SP)
12/outubro: Curitiba (PR)
13/outubro: Florianópolis (SC)
14/outubro: Pomerode (SC)
15/outubro: Blumenau (SC)
20/outubro: Caxias do Sul (RS)
21/outubro: Passo Fundo (RS)
22/outubro: Porto Alegre (RS)

Via Hypeness

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