‘Você é uma fraude’: Ultramaratonista gorda rebate preconceitos correndo ainda mais

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“Você é uma mentirosa e uma fraude”, dizia o e-mail que a corredora de ultramaratonas Mirna Valerio recebeu.

“Você não é uma corredora. Eu já vi seus vídeos, em que você finge correr. Que piada. Você corre na mesma velocidade que eu ando. Você espera que as pessoas sejam burras o suficiente para acreditarem nessa merda”, dizia o hater que lhe escreveu, para concluir:

“Uma pessoa que corre maratonas profissionalmente não é acima do peso, que é o que você é. Vá se fuder”. Ironicamente, Mirna recebeu esse e-mail enquanto estava terminando uma ultramaratona (com 50 km de extensão).

 

Além de corredora, especializada em trilhas, Mirna, como ela própria diz, é uma mulher negra e grande. Nascida e criada no Brooklin, Mirna é, além de atleta, professora e escritora. Como todo discurso de ódio, o e-mail que Mirna recebeu se baseava em mentiras para justificar o preconceito.

The Mirnavator

“Fat shaming is real.” Overcoming obstacles is just part of the sport for ultra-runners. #ForceOfNature Mirna Valerio overcomes mud, heat, pain and the negative voices that say she doesn’t belong. Watch now.

Posted by REI on Thursday, September 21, 2017

O ano de Mirna é pautado pelas diversas corridas que realiza semanalmente, especialmente as maratonas em trilhas – as famosas trail runnings, ou corridas de montanhas. Seu corpo não lhe é um problema, pelo contrário: é na capacidade desse corpo de atravessar tais barreiras e distâncias que ela reconhece seu poder e, então, sua beleza.

Daí a dor de ser acusada de fraude justamente enquanto concluía a atividade que o e-mail lhe acusava de não ser capaz, e tudo por não ter um corpo visto como adequado para a prática do esporte. Mirna admite que não devia ler e-mail algum enquanto se preparava para realizar a última “perna” da primeira ultra maratona do ano, mas buscou o telefone para tirar algumas selfies e documentar a experiência, e acabou acessando a mensagem – uma coleção de acusações mentirosas e gritos de ódio por motivo algum que não a gordofobia.

 

Antes de ser conhecida no meio, sua condição de negra e “grande” lhe fazia ser cruzada por olhares desconfiados até mesmo dentro do universo das corridas. Mirna recebia “conselhos” que travestiam nada além do mais puro preconceito e ignorância de outras competidoras. “Você é pesada para estar aqui correndo, não? Talvez você devesse ir à academia”, lhe diziam.

A corrida em trilha para Mirna não é fácil – e essa, para ela, é a beleza da coisa, o aspecto que mais lhe agrada: corrida é algo difícil mas ela é capaz de fazer. Mesmo que não seja veloz, que chegue em última, isso não é o importante é que, diferente da maioria das pessoas magras, ela consegue. No lugar de se abalar com o e-mail, Mirna resolveu se concentrar e terminar a corrida – para celebrar justamente o prazer de ser o que ela é: uma corredora, e uma enorme inspiração.

 

Via Hypeness

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