Ativista mostra o que os censores da exposição de Porto Alegre diriam de algumas das maiores obras de arte da história

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O cancelamento da exposição QueerMuseu: Cartografias das diferenças nas arte brasileira, em Porto Alegre – que fazia um recorte de obras que abordassem questões de gênero, diversidade e de temática LGBT – vem causando intensa celeuma na internet.

Cedendo às pressões de grupos conservadores, como o MBL e outros grupos de natureza religiosa, o banco Santander, patrocinador da exposição, decidiu encerrar a exposição um mês antes, alegando que “a mostra foi considerada ofensiva por algumas pessoas e grupos”. Obras de grandes nomes como Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Ligia Clark, Adriana Varejão e Clóvis Graciano foram consideradas “pornografia”, “depravação”, “zoofilia” e “pedofilia”.

 

A exposição em Porto Alegre

A censura à exposição acontece em momento especialmente delicado no país, e o evento denota o quanto os retrocessos atuais não estão restritos ao campo da economia e da política. Uma postagem da ativista Antonia Pellegrino decidiu mostrar o absurdo da decisão e da própria pressão simulando como seria a censura de tais grupos diante de grandes obras da história da arte, se fossem expostas no Brasil. O resultado seria cômico, não fosse trágico e tristemente simbólico.

TCHAU QUERIDA… LIBERDADE ARTÍSTICA!O Santander Cultural cedeu às pressões de grupos conservadores como o MBL e…

Posted by Antonia Pellegrino on Monday, September 11, 2017

Obras como David, de Michelangelo, O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch, e Leda e o Cisne, de Paolo Veronese, que não só fazem parte do tesouro artístico da humanidade, como contam nossa história, exploram e documentam aspectos profundos do ser humano, seriam toleradas pela patrulha que conseguiu encerrar a exposição em Porto Alegre?

A própria bíblia e a história da Igreja revelam diversas histórias – mitológicas ou reais – que, segundo o parâmetro, não passariam ao crivo de tais conservadores de plantão. O passado nos mostra o quão terrível foram os momentos em que, em nome da moral e dos bons costumes de alguns – travestindo homofobias e outras agendas e cerceamentos de liberdades -, importantes obras de arte foram censuradas e até destruídas. Olhar para as sombras do passado é a melhor maneira de evitar um amanhã ainda mais sombrio.

Via Hypeness

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