Os 10 discos de vinil mais caros do mundo

Espécie de símbolo e essência de um passado em que a indústria fonográfica era próspera e poderosa, o disco de vinil foi o formato fundamental através do qual a música se tornou o grande produto cultural do século 20. Reproduzido e vendido aos bilhões, o LP elevou em especial a música popular de uma experiência necessariamente presencial para se tornar trilha sonora e símbolo da identidade de diversas gerações ao longo de mais de 100 anos.

Apesar dessa reprodução em massa do formato como um todo, alguns exemplares de LPs se tornaram de tal forma raridades (muitas vezes como peças únicas dentro de um mercado que envolve não só cifras milionárias como a própria paixão pessoal por certos artistas), que acabaram avaliados ou vendidos como pedras preciosas a preços exorbitantes. Naturalmente, porém, que as variáveis para tornar um produto tão reproduzido em algo verdadeiramente valioso são difíceis e específicas.

Pegando a banda mais vendida de todos os tempos como exemplo, possuir uma raridade dos Beatles é praticamente impossível, visto o quanto a banda foi distribuída e consumida aos milhões pelo mundo – porém, pela mesma lógica, não é por acaso que quatro dos dez discos mais caros já avaliados no mundo são da banda. Pois não basta ser obscuro; é preciso ser raro e, na mesma medida, desejado, como são em especial os 10 discos listados abaixo – os 10 discos de vinil mais caros do mundo.

1. Cópia numerada 0000001 do Álbum Branco, dos Beatles.  

As primeiras impressões do nono disco de estúdio dos Beatles (conhecido como Álbum Branco, mas oficialmente intitulado simplesmente The Beatles, de 1968) traziam, sobre sua icônica capa toda branca, além do nome da banda em revelo, um número de série impresso. Logicamente que, por conta dos custos, a gravadora só permitiu que algumas milhares de cópias fossem assim feitas, e as primeiras quatro cópias foram presenteadas aos quatro membros da banda. O exemplar de número de série 0000001 ou, em suma, a primeira cópia impressa no mundo do disco, ficou com Ringo Starr, que em 2015 o colocou em um leilão beneficente, no qual o disco arrecadou a singela bagatela de 790 mil dólares (mais de 2,5 milhões de reais hoje), tornando-se assim o LP mais caro já vendido na história.

2. Cópia única da gravação de “That’ll Be The Day/In Spite Of All Danger”, do The Quarrymen (The Beatles)

Gravado em 12 de julho de 1958 em estúdio caseiro de Liverpool, o acetato em 78 rpm reunindo a clássica canção de Buddy Holly no lado A, e uma das primeira composições originais dos Beatles no lado B (“In Spite Of All The Danger”, uma rara composição feita por Paul McCartney e George Harrison), o disco é realmente uma peça única: trata-se da primeira gravação reunindo Paul, John e George – a primeira gravação do que se tornaria os Beatles. Depois de gravarem, um único exemplar foi impresso, e a banda – então formada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, junto com o pianista John Lowe e o baterista Colin Halton – combinou que cada um ficaria uma semana com o disco. Quando chegou a vez de Lowe, ele ficou com a cópia por 25 anos – que só veio a ser lançada em 1995, como parte da coletânea Anthology. O disco hoje está com Paul McCartney, e foi avaliado em cerca de 100 mil libras (em torno de 415 mil reais hoje). Um dos discos mais raros e caros do mundo foi gravado de forma tão simples e barata.

3. Acetato em cópia única da música “Love Me Do”, dos Beatles, em versão não-editada

Um acetato é uma espécie de matriz do LP, que serve como uma base para a feitura do vinil de fato. Trata-se de um disco de alumínio banhado em acetato de celulose, uma substancia mole como uma espécie de esmalte preto. Muitas vezes as gravadoras imprimiam acetatos simples para que os artistas ou produtores levassem prévias de gravações ou versões das músicas para ouvirem em casa. Essa versão única de “Love Me Do”, o primeiro compacto lançado pelos Beatles, de 1962, possui somente um lado com a música, com o outro lado em branco, e não foi editada, incluindo assim a contagem para que a banda começasse a tocar junta – e foi avaliada em 80.500 libras, ou mais de 300 mil reais.

4. “Music for Supermarkets”, de Jean Michel Jarre, em cópia única feita para uma exposição

O compositor francês Jean Michel Jarre foi chamado para compor a trilha de uma exposição que tinha a estética dos supermercados como tema, em 1983. Assim nasceu Music For Supermarkets, e Jarre decidiu que a música também seria uma peça única: mandou imprimir somente uma cópia do disco, e destruiu a fita máster. Esse disco foi posto em leilão, e vendido por cerca de 30 mil libras, algo em torno de 124 mil reais.

5. “Do I Love You (Indeed I Do)”, de Frank Wilson, impresso pela Motown

O cantor e produtor americano Frank Wilson gravou a canção em 1965 e, depois de cerca de 250 cópias terem sido impressas, desistiu de lança-la – um pouco por querer se dedicar à carreira de produtor, um pouco por pressão do dono da Motown, Berry Gordy, que não queria perder seus produtores ao se tornarem artistas. Poucas cópias dessa impressão específica sobreviveram (reza a lenda que somente duas, e que uma dela seria do próprio Gordy) e, por isso, o disco foi vendido por 25 mil libras (cerca de 100 mil reais) em um leilão, em 2009.

6. Compacto de “God Save The Queen”, dos Sex Pistols, impresso pela gravadora A&M

Além de uma dos pioneiras do movimento Punk, a banda inglesa Sex Pistols foi, ao mesmo tempo, uma das mais importantes e controversas bandas da história do rock. Depois de serem demitidos da gravadora EMI, em 1977, pouco tempo depois assinaram com a A&M, que lançaria o compacto por vir da banda, “God Save The Queen”. Nos dias seguintes à assinatura do contrato, porém, os membros dos Pistols já haviam ofendido diretores da gravadora, destruído banheiros no escritório, derramado o próprio sangue nos carpetes e ameaçado alguns sócios de morte. Seis dias depois da assinatura, com 250 mil cópias do compacto já impressas, o contrato foi cancelado, e quase todos os discos foram destruídos. Algumas das poucas cópias que sobreviveram a esse massacre, contudo, já foram avaliadas e vendidas em leilões por 12 mil libras, ou cerca de 50 mil reais.

7. “Would You Believe”, disco de Billy Nichols lançado pela Immediate Records

Alguns discos se tornam caros nem tanto pelo amor dos colecionadores pelo artista, mas quase que exclusivamente por sua raridade e peculiaridade. É o caso do disco Would You Believe, de Billy Nichols, de 1968. A ideia, criada pelo então empresário dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham, era que o disco fosse uma resposta inglesa ao incrível Pet Sounds, dos Beach Boys – a ser lançado pela gravadora de Oldham, a Immediate Records. Misturando orquestrações pesadas com psicodelia em canções pop, as dificuldades financeiras da gravadora impediram que o disco fosse realmente lançado e distribuído – somente 100 cópias promocionais foram impressas, ganhando assim valor de incrível raridade, a ser vendida em leilão por 10 mil libras, ou pouco mais de 40 mil reais.

8. As primeiras cópias impressas do disco “Please, Please Me”, dos Beatles

No caso de bandas populares como os Beatles, a diferença que pode fazer a fortuna do colecionar pode estar nos mínimos detalhes, como por exemplo, no selo do disco, ou em qual prensagem aquela exata cópia foi impressa. As duas primeiras levas de impressão do primeiro disco da banda, de 1963, vinham ainda com o rótulo anteriormente utilizado pela Parlophone, selo da EMI que lançou a banda. Com a arte em preto e dourado, foi durante esse preciso momento que a gravadora mudou seu rótulo, tornando os discos dessas duas primeiras fornadas em objetos de colecionador, avaliados em cerca de 7.500 libras, ou pouco mais de 30 mil reais.

9. Compacto de “Kind Hearted Woman Blues”, de Robert Johnson, lançado pela gravadora Vocalion

Tudo que envolve a vida e a obra do maior bluesman de todos os tempos é mítico e grandioso – assim como o valor de suas gravações. Depois de supostamente ter feito um pacto com o diabo e criado as bases modernas para o blues, Johnson realizou sua primeira gravação, em 1936, da canção “Kind Hearted Woman Blues”. A canção seria lançada no ano seguinte, pela gravadora Vocalion, com somente algumas centenas de cópias impressas. Por ser a primeira gravação realizada por Johnson (que gravaria somente 29 canções em sua curta vida, antes de morrer aos 27 anos), uma cópia em bom estado dessa prensagem pode chegar a 7 mil libras, ou cerca de 30 mil reais.

10. Compacto especial de “Bohemian Rhapsody/”I’m In Love With My Car”, do Queen

Ainda que se trate de um dos compactos mais bem sucedidos (e vendidos) da história, essa edição especial de “Bohemian Rhapsody”, do Queen (com a canção “I’m In Love With My Car” no outro lado), de 1978, foi impressa para servir também como kit de souvenires e um convite para um evento da gravadora. Ela vinha, portanto, além do disco, com uma caneta, um ingresso, um cardápio, um cartão comemorativo, uma echarpe e um cálice da gravadora dentro de uma caixa. Somente 200 “convites” foram fabricados, e o kit completo já foi vendido por 5 mil libras, ou cerca de 20 mil reais.

Menção honrosa:

Primeiro disco de Roberto Carlos, “Louco Por Você”

Pelo tamanho da indústria fonográfica de tais países (e pelo protagonismo dos artistas de língua inglesa) é natural que grande parte dos discos reunidos nessa lista sejam britânicos e americanos. Por aqui, porém, existem diversos exemplos de discos raros e procurados por colecionadores, como os volumes originais da série Tim Maia Racional, e o clássico Paêbiru, de Lula Côrtes e Zé Ramalho. O mais famoso e um dos mais procurados discos nacionais, porém, é o primeiro lançado por Roberto Carlos. Louco por você é uma malsucedida incursão do jovem Roberto pela bossa nova, com uma capa lamentável, poucas impressões e nenhum sucesso. O que aumenta sua raridade, porém, é a lenda de que Roberto, por não gostar do disco, há muitos anos envia pessoas às lojas para compra-lo e destruí-lo. Uma cópia pode ser vendida por valores entre 4 e 10 mil reais.

© fotos: divulgação

Via Hypeness

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