Guerrilla Girls: há 30 anos lutando pela igualdade de gênero no universo das artes

Corria o ano de 1984 quando a exposição “An international survey of recent painting and sculpture” (“Um panorama internacional da pintura e da escultura recente”) teve início no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Uma estranha realidade sobre a exposição, que se impunha como confirmação, sintoma e causa de uma realidade geral, refletida no universo das artes, se destacava: dos 165 artistas que participavam da exposição, representando um levantamento dos mais importantes nomes da arte de 17 países, somente 13 eram mulheres. Foi como reação a essa sintomática exposição que as Guerrilla Girls (Garotas guerrilheiras, em tradução livre) foram formadas.

“As mulheres precisam estar nuas para entrarem no Metropolitan Museum? Menos de 5% das artistas na sessão de arte moderna são mulheres, mas 85% da nudez nas obras é feminina”

A primeira ação do grupo foi quase imediata e contundente: espalhar cartazes por toda a ilha de Manhattan, denunciando tais práticas. Sobre uma lista de galerias da cidade, a frase “Somente 10% ou menos dos artistas expostos por essas galerias são mulheres”. Em outro cartaz, uma lista de artistas homens e famosos, com a frase “Esses artistas permitem que seus trabalhos sejam expostos em galerias em que 10% ou menos dos artistas são mulheres”. Para elas, a arte deve se parecer com a realidade, não com os interesses dos poderosos e bilionários.

“As vantagens de ser uma artista mulher: trabalhar sem a pressão pelo sucesso. Não ter que participar de exposições com homens. Poder descansar do universo da arte nos seus outros 4 empregos. Saber que sua carreira pode deslanchar depois dos 80 anos. Saber que não importa o tipo de arte que você faça, ela sempre será rotulada como ‘feminina’. Não ficar presa em um trabalho estável de professora. Ver suas ideias ganharem vida no trabalho de outras pessoas. Ter a oportunidade de escolher entre sua carreira e a maternidade. Não precisa engasgar em charutos ou pintar vestindo ternos italianos. Ter mais tempo para trabalhar depois que seu companheiro te largar por alguém mais jovem. Ser incluída em versões revisadas da história da arte. Não passar pelo constrangimento de ser chamado de ‘gênio’. Aparecer em revistas de arte vestindo uma roupa de gorila”. 

“Você está vendo menos da metade da realidade sem a visão das artistas mulheres e dos artistas de cor”. 

O grupo permanece desde então atualizando tais duras estatísticas – a primeira levantada foi de que somente 5% dos artistas são mulheres em museus de forma geral, mas 85% da nudez nas obras é feminina – e as transformando em cartazes. Hoje o grupo não mais se restringe às questões do universo do arte, ampliando o debate para outros aspectos da luta feminina, como racismo e aborto, e contra a privatização da arte e o controle das galerias e museus por bilionários. O grupo também oferece workshops sobre ativismo e arte.

“Quantas mulheres tiveram uma exposição individual em um museu de Nova Iorque ano passado?”

“As mulheres precisam estar nuas para aparecerem em clipes de música? Enquanto 99% dos homens estão vestidos”

Recentemente o grupo lançou um livro, intitulado “The Guerrilla Girls’ Updated Art Museum Activity Book”(O livro atualizado das atividades dos museus de arte das Guerilla Girls). Nele, o grupo comenta e atualiza suas estatísticas.

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“Em 2011, realizamos uma recontagem. Tínhamos certeza de que as coisas haviam melhorado, mas surpresa! Somente 4% dos artistas nas partes contemporâneas e modernas dos museus eram mulheres, mas 76% da nudez nas obras eram femininas. Menos artistas mulheres, mais nudez masculina. Isso é progresso? Pelo visto, ainda não podemos tirar nossas mascaras”, disse uma representante do grupo. As máscaras de gorila que utilizam representam o machismo, protege suas identidades, mas também parecem apontar o quão primitiva e animalesca é tal realidade.

“Esses críticos não escrevem o suficiente sobre artistas mulheres”

“O Oscar anatomicamente correto. Ele é branco e homem, assim como os caras que ganham. Nunca uma mulher ganhou o Oscar de melhor diretora. 94% dos prêmios de roteiro vão para escritores homens. Somente 3% dos prêmios de atuação foram dados para pessoas de cor”

© fotos: divulgação

Via Hypeness

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