Fiquei um mês seguindo o veganismo, e o inesperado aconteceu – PARTE 2

(Se você chegou agora, clica aqui para ler a primeira parte do desafio)

MAS… O QUE VOCÊ COME?

Acabei criando um perfil no Instagram (que não abandonei após o fim do desafio), que serviu como uma espécie de diário. Todo dia, postava o meu almoço, que foi desde o básico arroz e feijão até junk food (sim, vegano também enfia o pé na jaca de vez em quando).

Então, para responder a pergunta ali de cima (que foi, sem dúvidas, a que mais ouvi durante o desafio), vou postar algumas das refeições que fiz nesse mês:

E aí, ainda tem dúvida de que vegano come, e come muito bem?

E A PROTEÍNA? EXISTEM FONTES VEGETAIS DE TODAS ELAS?

Geralmente, a maior dúvida entre as pessoas que têm interesse no vegetarianismo é com relação as proteínas. Por algum motivo, imagina-se que sua fonte seja apenas de origem animal, o que não é verdade.

Este é um tema bastante polêmico, e que acaba gerando muita confusão. De acordo com o Dr Eric Slywitch (falo do livro dele lá no final), proteínas são aminoácidos, e não existe nenhum aminoácido necessário ao organismo humano que não seja encontrado nos alimentos do reino vegetal.

Para não cair na cilada de uma alimentação deficiente em ferro e vitaminas do complexo B, basta que o vegetariano preste atenção no que põe no prato. Se puder contar com a ajuda de um nutricionista, melhor ainda.

Segundo a Dra. Marina Schneppendahl, vegetariana e nutricionista da Nutrição Avançada, existem muitos alimentos vegetais à nossa disposição que são ricos em proteínas e ainda possuem inúmeros nutrientes e vitaminas que os deixam muito mais completos do que a carne. “Muitas pessoas acreditam que uma alimentação vegana se limita à folhas e legumes, mas a realidade é muito diferente. Um prato saudável sem alimentos de origem animal pode possuir uma grande variedade de alimentos saborosos, ricos em nutrientes e de fácil acesso”, contou ao Hypeness.

Como eu paro de comer carne? Simples. Comece tirando a carne do prato que você costuma comer…O que sobra geralmente são grãos, legumes e salada, ricos em diversos nutrientes necessários ao corpo humano

A maior dificuldade para o vegano acaba sendo a vitamina B12, que realmente não é encontrada em nenhum alimento vegetal. Isso porque ela é produzida por bactérias, que são ingeridas pelos animais na água e nos alimentos.

Uma saída para os veganos é a suplementação, ou ainda procurar por alimentos que sejam enriquecidos com vitamina B12. Neste vídeo do site Vista-se, o Dr. Eric explica mais sobre o assunto.

Abaixo, a Dra. Marina separou uma lista com alguns alimentos essenciais para o vegetariano:

– Leguminosas: São o feijão, lentilha, ervilha e grão de bico. São ricos em proteínas, em ferro e em fibra.

– Sementes: As sementes, em especial a de abóbora, possuem uma grande quantidade de proteína em sua composição e ficam ótimas para deixar a salada mais crocante ou ainda podem ser um lanchinho da tarde.  A chia e a linhaça aproveitam para suprir o ômega 3, presente nos peixes.

– Quinoa: A quinoa é um grão que tem o dobro de proteínas quando comparado ao arroz integral. Pode ser consumida em forma de flocos nas saladas ou até mesmo preparada cozida, igual ao arroz.  

– Tofu: Existem também os alimentos produzidos a partir da soja, que são super proteicos, como o tofu. O tofu é super versátil e podemos utilizá-lo em várias preparações, como “ovos mexidos” (tofu refogado com cebola, alho e açafrão), tofu grelhado acebolado, patê de tofu e tofu defumado para temperar o feijão.

Imagem via Brasil Post

Isso sem falar nas folhas, legumes e verduras, encontradas facilmente nos quatro cantos do país. Aliás, aproveito aqui para falar sobre isso. Ouvi muitas pessoas comentaram a seguinte frase: Ah, mas você mora numa capital, assim fica fácil ser vegana! Então recomendo vocês conhecerem a Bruna, vegana que mora em Congonhal, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes no interior de Minas Gerais, e que prova que é possível sim viver sem alimentos de origem animal em qualquer lugar.

COMO FICA A VIDA SOCIAL

Quando topei o desafio, imaginei que minha maior dificuldade seria para comer fora de casa, em eventos sociais e na casa de amigos.

Logo no segundo dia, tive um aniversário para ir. O jantar era mexicano, e para a minha surpresa havia chilli de soja no cardápio (obrigada Isa <3). Já no primeiro fim de semana, fui para o interior visitar meus sogros (carnívoros convictos). Geralmente, todas as refeições na casa deles giram em torno da carne bovina. Com a correria, acabei não me preparando, e não levei nenhuma marmitinha. Mas me virei super bem, sempre havia o básico disponível, como arroz, legumes e salada. Não passei fome nem vontade!

Jantar mexicano com chilli de soja é muito <3

Na metade do desafio, fizemos uma hamburgada lá em casa para os amigos. Entre a turma, havia mais uma vegetariana. Comprei hambúrgueres sem carne, maionese vegana e também me certifiquei que o pão não havia leite nem ovos na sua fabricação. Mas na hora da sobremesa, uma amiga levou brigadeiros, e aí confesso que o bicho pegou. Passei vontade sim, Brasil. Mas tudo bem, não morri também. Afinal, a vida é feita de escolhas, não é mesmo?

Expectativa x Realidade

Quanto aos restaurantes, quando não eram vegetarianos, geralmente tinham pelo menos uma opção no cardápio, ou então sempre conseguia fazer algum tipo de adaptação de algum prato. Claro que algumas vezes não foram tão simples assim, mas no geral não senti dificuldade. E no fim, acabei descobrindo que minha cidade é cheia de lugarzinhos vegetarianos/veganos pra lá de charmosos e gostosos.

Greengo, em Curitiba, ganhou meu coração <3

Já os lugares que mais sofri, sem dúvidas, foram as padarias e confeitarias. Na padoca, você meio que fica só com o cafézinho, ou então com uma salada de frutas, já que nem a margarina pode-se garantir que é 100% de origem vegetal.

Já na confeitaria, esqueça. Se você, assim como eu, é uma formiguinha, esse é o tipo de lugar que, pelo menos nos primeiros dias, quando você ainda está se adaptando, é melhor evitar. Dificilmente você vai encontrar uma opção sem leite ou ovos. Aqui em Curitiba, pelo menos, esse milagre não aconteceu comigo. Mas fiquei sabendo que em breve isso vai mudar, já que a Goodies – lembra dela? lançará uma linha de doces para a turma dos alérgicos ao leite/glúten e veganos, em parceria com o site Fru-fruta, da Pati Bianco, que também é cheio de receitinhas veganas.

RESUMO DESSES 30 DIAS

Olha, vou te contar que esses 30 dias passaram voando. É claro que não foi fácil, mas também foi muito menos difícil do que eu imaginava. Veganismo, até então, sempre foi um mundo muito distante. Como falei lá no início, há tempos queria voltar para o vegetarianismo, mas quando pensava em me tornar vegana, logo vinha a minha cabeça: ISSO É IMPOSSÍVEL! E acabei descobrindo que não é não, pelo contrário, nos dias atuais isso é bastante viável.

“Hábitos não são necessidades”

Claro que é preciso um período de adaptação. Eu mesma, durante o desafio, “fracassei” algumas vezes. Tiveram dias que não comer nada com leite ou ovos (mais especificamente um docinho) foi muito difícil. E em algumas vezes, comia até mesmo sem saber.

Teve um dia que comi umas batatinhas daquela marca Pringles, por exemplo, e quando fui ler o rótulo…continha leite. Descobri inclusive que até na batatinha do McDonald’s vai leite (entre diversas outras substâncias que a gente nem imagina). Pois é. Você começa a ler os rótulos dos produtos, e descobre que é difícil encontrar algo sem leite, ovo ou algum produto de origem animal que nem fazemos ideia que existia. É uma loucura como nossa alimentação – e o mundo – gira em torno disso.

“Por que raios isso leva leite?” – Todo vegano, sempre

De qualquer maneira, não posso dizer que fui vegana neste mês, mas sim que fui uma vegetariana estrita. Mesmo me esforçando para utilizar a menor quantidade possível de produtos de origem animal no dia a dia, eles não foram 100% abolidos da minha vida.

Não joguei minhas maquiagens fora, por exemplo, mas fiquei encantada (e com muita vontade de tentar fazer em casa) com o trabalho da blogueira Sunny Subramanian no livro Beleza Feita em Casa, onde ela ensina a fazer desde cremes e sabonetes até blush e rímel, tudo natural e vegano, além de ter sentido uma grande necessidade de comprar produtos de marcas veganas assim que os meus acabarem.

Livro maravilhoso da blogueira Sunny Subramanian

Então, para seguir o veganismo, você precisa sair da sua zona de conforto, e descobrir novos sabores, novas misturas, novas possibilidades. Durante esse mês, passei a ir ao hortifruti ou a feira uma vez por semana, e escolhia legumes e verduras que estavam mais em conta no dia. Passei a criar receitas com produtos que muitas vezes nem imaginava que poderiam combinar.

E um dos segredos para não estourar o orçamento é você descobrir lugares alternativos para fazer suas compras. Nada de comprar a quinoa naquele pacotinho bonitinho que vende no mercado, por exemplo. Aqui em Curitiba, dou preferência ao Mercado Municipal, ou então a um outro lugar, bem pertinho do MM, chamado Pop House, que tem preços imbatíveis.

Outro detalhe que facilitou muito a minha vida foi deixar o básico, como o arroz, feijão e grãos já prontos para a semana. E então no dia só precisava me preocupar com os complementos. Outra coisa que também facilita muito é jogar vários legumes no forno. Bem temperadinhos, ficam uma delícia. A proteína texturizada de soja é outra mão na roda no dia a dia. Com ela, fazia desde abobrinha recheada até macarrão “a bolonhesa”. Você pode cozinhá-la no domingo à noite, em uma maior quantidade, e ir variando durante toda a semana.

Purê de batata com “soja moída”

O fato é que passei a prestar muito mais atenção na minha alimentação, e a apreciar muito mais as minhas refeições. De repente, o almoço era muito mais saboroso, não só pela comida em si, mas porque a sensação era de que eu estava “ingerindo vida”. É meio inexplicável, mas acredito que os veganos me entenderão!

Um resultado bastante interessante deste desafio é com relação aos meus exames de sangue. Logo após acabar os 30 dias, fiz o exame de ferritina e vitamina B12. O de ferritina nunca esteve tão bom! Veja na imagem abaixo a comparação com os últimos realizados. O resultado é incrível!

Com a vitamina B12 também veio a agradável surpresa. De 260 para 325. Como ela não é encontrada no reino vegetal, imagino que o aumento se deva as algas chlorella e a spirulina que passei a ingerir (você pode encontrar mais informações sobre os benefícios delas aqui.)

Então aquela história de que vegano não ingere ferro nem proteína e fica com a saúde debilitada, para mim, foi comprovada que é puro mito. Isso sem falar no peso. Foram 2 kg a menos na balança e, muito mais do que isso, perdi muitos centímetros na região da barriga/cintura. Acredito que seja por conta do leite e derivados, que são altamente inflamatórios. E o curioso foi que passei a comer muito mais do que comia antes. Principalmente durante as 3 refeições principais do dia.

“Meu único arrependimento sobre o veganismo é não ter feito isso antes”

Agora, você deve estar se perguntando se eu vou continuar. Como disse no título deste post, o inesperado aconteceu. Euzinha, que nunca me imaginei vegana, quero muito entrar pra esta turma! Por enquanto, sigo vegetariana. Adeus frango e peixe. Mas meu objetivo é me tornar vegana sim, e estou trabalhando para isso. Sempre que posso, estou dando preferência as opções sem nada de origem animal, e aos poucos vou sentindo que meu corpo “precisa” cada vez menos de ovos, laticínios e afins. Resumindo: hoje me sinto mais leve, cheia de saúde e cada vez mais feliz por fazer a minha parte (por menor que seja) para ajudar o mundo a se tornar um lugar mais sustentável e humano.

LIVROS, BLOGS E DOCUMENTÁRIOS PARA SE INSPIRAR

Para encerrar, reuni alguns livros, sites, blogs, documentários e perfis do Instagram e que me inspiraram durante este mês. Espero que inspirem você também <3

Livro Alimentação Sem Carne

Livro Comer Animais

Livro Porque amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas?

Blog Presunto Vegetariano

Blog Tempero Alternativo

Blog Fru-fruta

Blog Flor de Sal

Blog Bora Veganizar

Site Vista-se

Site SVB

Site Escolha Veg

Doc Cowspiracy

Doc Terráqueos

Doc Farm To Fridge (Da Fazenda à Geladeira) | A verdade atrás dos produtos de origem animal

Canal Entrevista-se

TED Talk Além do Carnismo, Melanie Joy

Instagram Ser Vegana

Instagram Vegan Destination

Instagram Verde Life Style

Instagram Vegan Beauty Review

Instagram Virando Vegana

Instagram Diário Vegano

Instagram Vegan Nutri

Instagram Vegana Prática

Instagram Veganize-se

ATENÇÃO! Se você se animou e está pensando em adquirir um novo estilo de vida, não esqueça de consultar um médico e/ou um nutricionista. E quando começar o desafio, divide com a gente usando a #desafiohypenessvegan no Instagram 🙂

E para ler tudo que a gente já falou sobre veganismo no Hypeness, é só entrar aqui.

Imagens © Gabriela Alberti/Reprodução/Brasil Post/Pinterest

Via Hypeness

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