A luta de um pai para encontrar a filha desaparecida ou como é o amor – mais do que as pistas – que nos salva

Poucas dores podem ser tão angustiantes e irracionais quanto a de ter alguém que se ama desaparecido. Viver no limbo da incerteza, sem qualquer confirmação enquanto investigações e procuras correm contra o tempo atrás de pistas ou paradeiro da pessoa desaparecida costuma fazer da esperança inabalável o único combustível para que pais, mães, parentes e amigos juntem forças para ajudar o trabalho da polícia na busca pelo ente amado que desapareceu. E se informar a polícia é determinante e fundamental – e deve sempre ser a primeira coisa a se fazer – muitas vezes o acaso ou outras forças inesperadas operam para que tais histórias sigam caminhos diferentes. É disso que trata a mais nova série da HBO.

O Jardim de Bronze é uma série original argentina, que tem justamente um desaparecimento como premissa – e a luta de um pai, que decide não esperar somente pela polícia, que não parece apresentar respostas, e sair com as próprias mãos atrás da filha adolescente, que sumiu sem deixar qualquer pista.

Ao assumir as buscas, o personagem do pai – um arquiteto chamado Fabián Danubio interpretado pelo ator Joaquin Furriel – se vê diante de uma trama policial de suspense, que transforma sua vida subitamente em um absoluto pesadelo.

Tempos depois do desaparecimento de sua filha, e sem grandes pistas que o levem a descobrir seu paradeiro, o personagem decide tentar ele próprio resolver o mistério. A série representa o compromisso da HBO com produções originais latino americanas.

Ao nos depararmos com essa série – que estreou no dia 25 de junho – nos lembramos de outros casos marcantes de desaparecimentos que, curiosamente, acabaram tendo finais felizes por caminhos sinuosos.

Assim aconteceu com Érica Miranda, que reencontrou seu filho desaparecido depois de 7 anos. As redes sociais, que ultimamente passaram a ser uma ferramenta importante e eficiente nas buscas por pessoas que simplesmente somem, como que sem explicação, tiveram um papel fundamental.

O filho de Érica havia saído para visitar o pai em um final de semana, e simplesmente nunca mais voltou. A mãe perdera qualquer esperança quando foi informada que eles haviam se mudado para os Estados Unidos e, um dia, 7 anos depois, caminhando pelo centro do Rio, simplesmente deu de cara com um rapaz que bastou pousar sobre ele o olhar para ter certeza que se tratava de seu filho. O menino havia vivido com o pai a pouco mais de 2 quilômetros de distância de sua antiga casa por todo esse tempo.


© André Graiz/RBS

Algumas histórias são mais curtas, mas nem por isso menos intensas. Elias Santos se desesperou depois de perceber que a filha, de 13 anos, que iria simplesmente passar o final de semana na casa de uma amiga, havia desaparecido, e não conseguiu esperar parado pelo trabalho da polícia. A filha e a amiga decidiram ir até a capital gaúcha, para voltar no mesmo dia, mas se perderam. A amiga retornou, informando que Laura, a filha de Elias, estava em Porto Alegre.


© André Graiz/RBS

Por dias o pai e a mãe de Laura, que então já haviam perdido seus empregos, seguiram em peregrinação permanente pelas ruas do centro. Quando todos já haviam voltado a Novo Hamburgo, Elias decidiu, mesmo sem comer há dias, permanecer em Porto Alegre – e nessa noite, encontrou a filha, vagando por uma praça, procurando a amiga, de quem havia se perdido, e que não sabia que já havia voltado. Foram 12 dias de desespero e dor, mas com um final feliz.

Feliz como também foi o fim da história de Alex Fonseca, que procurou por três anos seu filho desaparecido em Minas Gerais. Antes, porém, Alex não só precisou contar com a sorte (junto do trabalho de profissionais e de sua própria dedicação) para encontrar o filho, como com a medicina para lhe manter vivo – pois sua história começa com um atentado contra sua vida.

Em 2014, Alex foi buscar o filho na casa da mãe, para um passeio, quando um motoqueiro subitamente parou e efetuou vários disparos contra ele. Alex sobreviveu depois de 22 dias em coma. O motivo seria um seguro de vida que mantém para seu filho – e meses depois, a mãe do menino desapareceu com a criança.

O paradeiro da mãe e do menino só foi descoberto pois um coleguinha de sala viu a foto do menino no espaço da conta de luz destinado às imagens de pessoas desaparecidas – ele então informou aos pais, que passaram a informação à polícia. Hoje tanto a mãe quanto o padrasto, com quem ela se casou, estão presos.

Tal como os casos mencionados acima, O Jardim de Bronze, da HBO, é uma imperdível viagem pelos sentimentos mais profundos de que um ser humano é capaz. Do amor ao desespero, a série se mistura com a realidade argentina e com o cenário de Buenos Aires, que se apresenta fortemente, como um personagem da série, não só em sua beleza, mas também através de um lado sombrio e pouco explorado da cidade.

O Jardim de Bronze é um thriller baseado em um livro homônimo de Gustavo Malajovich, que ainda não foi traduzido para o português. O autor, porém, é um dos responsáveis pelo roteiro que mostra a luta desse pai contra o acaso, o inexplicável, no que pode ter sido um crime perfeito – correndo contra o tempo para salvar a vida de sua filha.

A primeira temporada da série, que terá 8 episódios de uma hora, veicula todos os domingos às 21h e todos os episódios estarão disponíveis na HBO GO simultaneamente. Se os finais de tais terríveis histórias de desaparecimento podem ser diversos (entre conclusões tristes e felizes), uma coisa costuma ser invariável: a luta incessante dos pais para recuperar seus filhos – e é essa a história que O Jardim de Bronze irá contar.

© fotos: divulgação

Via Hypeness

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