O futuro da moda está no encontro entre o “feito à mão”, a tecnologia e a sustentabilidade

No último final de semana o Istituto Europeo di Design – IED São Paulo promoveu o Fashion Sunsets, evento que celebra a tradição e o futuro das técnicas manuais, a partir do talento de artesãos e designers que fazem a Moda brasileira. Durante toda a tarde do sábado aconteceram palestras para levantar tendências, além de exposições com peças inovadoras no quesito impacto positivo para a sociedade e natureza.

Conversamos com Ricardo Peruchi, organizador do evento que nos contou sobre o tema desta terceira edição do Fashion Sunsets: o “feito a mão”. Após duas edições homenageando Ronaldo Fraga e os Irmãos Campana, o Instituto agora foca na produção da mulher e seu protagonismo na indústria têxtil. “A ideia aqui é valorizar as técnicas manuais, definidoras de regiões, estados e grupos de artesãs. É gerar impacto na renda das comunidades e no empoderamento dessas mulheres”, expressa.

Também conversamos com a curadora Adriana Pimenta que explicou o critério na escolha das marcas para as exposições: “todas são ecologicamente corretas e colocam o conceito do design inovador em contato com a raíz do manual”. Ao todo foram 17 marcas expostas que vieram de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará. Para Victor Megido, diretor geral do IED São Paulo, o principal objetivo do projeto é “tornar a identidade brasileira mais clara para o mundo, desenvolver esse olhar nos alunos de dentro pra fora e investir em marketing para alcançar maior visibilidade”.

O assunto também foi levantado nas palestras que aconteceram no auditório do IED São Paulo. A primeira mesa, mediada por Lili Tedde, idealizadora do projeto Bloom, exaltou materiais baratos como a palha, a cabaça e a raíz como tendências da alta costura brasileira. Já a mediadora Alexandra Farah, especialista em tecnologias vestíveis, levantou a questão do artesanato digital e o conceito de que o LED pode trazer a impressão de que a roupa tem vida própria. Nesse contexto, pudemos ver a roupa feita sob encomenda para a cantora Gaby Amarantos usar no programa do Faustão.

Na terceira palestra do dia estava a ceramista Kimi Nii, que revelou ter receio dos impactos negativos da virtualidade sobre nós: “Cerâmica é uma coisa muito complexa. Tem que ficar dias trabalhando com ela”, contrapôs com relação à internet. Já para Clarice Borian, que bordou palavras de afeto em folhas de árvore, o essencial da vida está nos pequenos gestos e por esse motivo o trabalho manual é tão encantador. “Pra mim é um trabalho simples de espalhar palavras e alcançar voos altos”, conta orgulhosa a artista têxtil.

Após tantas informações tomamos um drink para relaxar no único bar inflável do Brasil, o CUBQ, que funciona através da tecnologia de light design e reage às vibrações do som da música. Idealizado pela diretora de arte Juliana Lima, o bar em formato de cubo oferece música, cenografia, espumantes vinhos, cervejas e drinks especiais. Tomamos um de Cardamomo inesquecível. Depois conhecemos, nas exposições, a marca de bolsas de crochê Catarina Mina, que veio do Ceará para mostrar peças que mais pareciam obras de arte.

Outros artesãos do Rio de Janeiro trouxeram acessórios feitos com os mais variados restos de materiais: alumínio, couro, madeira e até azulejo. Também nos encantamos pela marca Kasulo, que fabrica sapatos com restos de tecidos africanos. E de São Paulo, a ex-aluna do IED São Paulo, Fernanda Douat Baptista, defensora do slow fashion expôs a sua marca C.A.P.I.M., que é a união de elementos sustentáveis, mão de obra ética e consumidores conscientes. No Fashion Sunsets, ela apresentou bolsas em a palha, para a estrutura com laços, e alças em tecido, que podem ser customizados.

Encerrando o ciclo de mesas e palestras do Fashion Sunsets, aprendemos com a estilista Flavia Aranha sobre a técnica do tingimento natural, que depois falou sobre a importância da cultura do manual nos dias de hoje. “Trazer a juventude pro artesanato é trazer novas oportunidades para esse ofício. É ressignificar a arte”. Para somar música ao time de mulheres poderosas, o evento foi encerrado ao som de Lica Cecato, artista que transita entre as culturas brasileira, italiana e japonesa. Ela finaliza “vim arrematar à mão esse evento de multilinguagens”. De uma coisa estamos certos ao sair do Fashion Sunsets: resgatar as velhas técnicas manuais pode trazer resultados absolutamente novos.

Via Hypeness

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