O que aconteceu quando decidi ir a um festival de música sem conhecer nada nem ninguém

Até hoje existem muitas pessoas (principalmente mulheres) que relutam em sair sozinhas. Tipo a famosa: “Mas eu vou sozinha no cinema?”. Eu encarei o desafio e me joguei em um festival em Buenos Aires onde não conhecia nada, nem ninguém. O resultado eu te conto agora!

Eu confesso que sou fã de fazer as coisas all by myself. O que me dá até um pouco de medo às vezes, de isso se converter em uma antipatia social. Mas como uma boa virginiana, com lua em virgem, é comum para mim colocar as experiências na balança. E desde que tenho feito isso ando valorizando cada vez mais as minhas aventuras solitárias e por isso te trago esse texto.

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Nem sempre só!

De última hora ganhei apenas um ingresso para um festival de música em Buenos Aires, o Festival Nuestro. Os três meses que vivo aqui não me apresentaram nenhuma das bandas que tocavam no evento – e nem nenhum amigo que fosse. Pensei: porque não fazer algo completamente diferente e ver qual é? Porque sair sozinha é uma coisa. Agora pra um lugar em que você não conhece nada nem ninguém é outra!

Armei meu kit como sempre: na mochila tinha tudo o que eu precisava para passar o dia e como uma boa estudante das humanas, uma canga. O lugar era em uma região que eu também não sabia nem onde ficava. Consultei o aplicativo e saí.

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Preparada para a guerra: calça confortável, pochete da feira da rua da minha casa (antes de virar moda) e galocha 

No caminho descobri que Tecnópolis é um centro de evento portenho muito interessante onde ocorre uma espécie de enorme feira de ciências com atividades educativas e high techs para todas as idades. Isso inclui se deparar com robôs e dinossauros gigantes além de um espaço convidativos às ideias. Achei muito legal!

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Tudo isso aí em cima é Tecnópolis: grande e parece prometer uma programação bem interessante. Vale a pena ficar de olho se estiver de viagem por aqui! 

Chegando lá, obviamente me perdi. Nesse caminho também encontrei uma outra menina perdida e me aproximei dela para perguntar se por um acaso sabia onde era a entrada. Obviamente nos perdemos uma vez mais e minha primeira amizade começava aí. Depois teve a do ônibus que eu tive que pegar para chegar, da fila da comida, do banheiro…

Enfim, eu acho que se seu astral está bom, é uma consequência estar aberto ao outro e isso pode te trazer no fim do dia um montão de novas experiências – que talvez acompanhada você não tivesse atenta a essas oportunidades. E por mais que sejam passageiras, são muitas, distintas, únicas e às vezes até inenarráveis!

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Interagindo com os migues

Quer ver um exemplo prático: você se perdeu com todos os seus amigos e juntos vão buscar o caminho certo. Assim como encaram a fila, perrengues, bons momentos… E às vezes vira uma manada de gente que fica até difícil de administrar: um quer ir ao banheiro, a outra ver o show, o outro dar uns beijos… E querendo ou não isso te fecha um pouco no seu universo e te faz menos sensível a sua volta. Claro que o fato de eu ser jornalista me faz valorar bastante a observação, mas você já parou para pensar o quanto isso agrega a sua experiência?

Uma outra analogia é como dar uma volta no quarteirão sozinha e depois com um amigo. São coisas que você vai enxergar diferentes assim como a vivência em geral vai ser outra. Claro que devemos buscar o equilíbrio se não também a gente exagera de um lado ou do outro. Por conta desse tipo de experiência observativa que acredito que seja muito saudável se aventurar sozinho.

E bom, assim foi o meu dia:

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Comecei a conhecer o espaço e como todo e bom festival você tem que fazer check in em todo o mapinha. E acreditem, sozinho é muito mais fácil de conhecer tudo!

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A experiência no geral foi muito surpreendente. Não só pelas sensações e reflexões que eu descrevo aqui nesse texto, como também acompanhar um festival fora do país. Ver como as pessoas se comportam, o que tem pra comer, o que tem de diferente e obviamente ter certeza de que nós, brasileiros, somos os mais festeiros do mundo!

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Ao contrário de muitos festivais que já fui no Brasil, neste eu senti uma interação muito forte entre artes, esportes e bem-estar. Porque mais que as pessoas irem assistir aos shows, é fato de que vão passar o dia todo ali. Então além das atrações musicais, havia um montão de outras coisas que te distraiam que iam desde de maquiagem de palhaço até stand up, leitura de poesia, intervenção teatral de humor… E por aí vai!

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Entre as diferenças para lá de culturais também ficou marcado na parte gastronômica. Primeiro pelo mate que é algo que eles não vivem sem. Vão encher a garrafa de água quente, alugam todo o equipamento e não ficam sem o queridinho – até mesmo durante um dia de show.

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E como uma boa gordínea que sou, não pude deixar de desejar tudo que era de comer, claro! 

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Apenas morram com essas batatas banhadas com overdose de molho por cima – além de moço gato que preparava essa explosão de amor para você!

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Já falei que molho é sem miséria, né? (Desejando um desses na minha casa)

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Pipoca, algodão doce e água GRÁTIS também marcaram presença

E agora o que faltava: a música!

Apesar de não conhecer mesmo nenhuma banda, nunca ter ouvido nenhum som, nem nada; sabia que o ritmo era rock – que me agrada bastante. O que eu não esperava era encontrar rock com cumbia, com tango, com circo… Achei muito massa essa mistura que pareceu bem-vinda por essa parcela de argentinos. Portanto, ali eu ouvi de um tudo e curti!

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A banda mais esperada do dia: Las Pastillas del Abuelo – pessoal tinha tatuagem, camiseta, bandeira… 

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Esses são os Los Caligaris: uma banda de Córdoba que reúne umas 12 pessoas no palco juntando sinfonia, circo… Muito divertidos – e um pouco boy band

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Uns hippies fazendo um som paralelo além dos palcos também estavam por lá

E até um Cazuza eu ouvi pelos Bersuit Vergarabat, os mesmos que arriscavam cumbia com rock. Como o audio do vídeo que eu fiz não ficou legal, comparto com vocês uma versão dos hermanos:

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E se valeu o passeio? Demais!

Não minto que foi o melhor festival que eu fui na minha vida, mas para quem chegou lá sem saber absolutamente NADA foi realmente surpreendente em vários sentidos como o som, os costumes que eu vi, as pessoas que eu conheci…

Conheço muitos amigos que por não terem companhia dentro e ainda mais fora do Brasil às vezes nem sairiam de casa. E a intenção de descrever isso não é fazer apologia a solidão, nem mesmo incentivar a ilusão de que tudo que é desconhecido vai ser maravilhoso – porque também não vai.

E, embora possa parecer um pouco frase de livro de autoajuda, acredito cada vez mais que fazer da sua melhor companhia de todas é uma conquista nessa nossa vidinha de meu Deus. E hoje é essa a mensagem que eu quero passar para você que chegou até aqui.

SE JOGA! 

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Todas as fotos © Stephanie Bevilaqua

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Via Hypeness

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