Torcida abre bandeira LGBT em estádio como pedido de desculpas por grito homofóbico

Não é de hoje que as arquibancadas de estádios de futebol são palco de ofensas homofóbicas disfarçadas de provocações. Dos gritos de “Viado” endereçados a adversários e árbitros, passando pelos apelidos de rivais até chegar ao polêmico “Bicha” no tiro de meta, os defensores sempre alegam que questionar isso é querer tirar a graça do esporte. Mas uma torcida do Paysandu discorda.

A Banda Alma Celeste foi criada por entusiastas do tradicional clube paraense com objetivo de incentivar o time ao estilo das torcidas argentinas, conhecidas como Barra Bravas. Entre os cânticos que ajudaram a Alma Celeste a ganhar popularidade está um bem simplório: “O Leão é gay! O Leão é gay!”. Leão é o mascote do grande rival, o Remo.

Há cerca de um mês, os integrantes da Banda Alma Celeste se reuniram justamente para discutir sobre chamar o goleiro adversário de “bicha” na hora do tiro de meta. Ao UOL, Fidélis Neto, membro da torcida, contou que a maioria era contra aderir à moda, que se espalhou por todo o Brasil depois da Copa de 2014. E concluíram que era hipócrita criticar a atitude e continuar bradando a palavra “gay” como se fosse uma ofensa.

“Erramos durante vários anos propagando cantos homofóbicos disfarçados de rivalidade.”, diz a nota da torcida comunicando que o canto seria banido da arquibancada. “Em decisão tomada em uma das nossas reuniões mensais, viemos comunicar que músicas e manifestações de cunho racial/homofóbico estão extintas do nosso repertório, entre elas a famosa música que chama o mascote do rival de gay”, segue o aviso.

Foto: César Magalhães

E não parou por aí. Uma semana depois, o governo do Pará fez com que os jogadores de Remo e Paysandu entrassem em campo para decidir o campeonato estadual com camisetas pedindo respeito à diversidade. Já as animadoras de torcida deram a volta no campo com uma bandeira do arco-íris, símbolo do orgulho LGBT.

Foto: Banda Alma Celeste

Três dias depois, na noite em que o Paysandu enfrentou o Santos pela Copa do Brasil, a Banda Alma Celeste estendeu a mesma bandeira na arquibancada, a pedido do governo do estado. A atitude gerou alguns elogios de outros torcedores do Papão, mas também críticas e provocações dos rivais. O combate à homofobia no futebol anda a passos lentos, e há mesmo muito que caminhar…

Via Hypeness

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