Cordelista mais jovem do Brasil, Jarid Arraes usa sua poesia para empoderar

Se a literatura de cordel registra em folhetos histórias, fatos e a vida das pessoas em verso, servindo como fonte informação, entretenimento e memória, nada mais natural que, hoje, ela fale da luta das mulheres, em especial das mulheres negras, através da voz e da pena de uma. Jarid Arraes é provavelmente a mais jovem cordelista do Brasil, e se destaca ao atualizar e manter viva a tradição dos cordéis, partindo de sua própria vivência e de seu universo para cria-los.

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Natural de Juazeiro do Norte, na região do Cariri (CE), ainda que o protesto e a conscientização façam parte da tradição do cordel, não foi fácil para Jarid tornar-se uma cordelista enquanto mulher. Não só a quantidade de mulheres, ao menos na época em que começou, dentro da tradição seja bastante menor, ela garante que não se sentia à altura de fazer seus cordéis – para ela era coisa de homem, especialmente diante de seu avô e pai, igualmente grandes cordelistas.

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Conforme foi aparecendo como cordelista – e também como ativista e jornalista, com textos em defesa dos direitos humanos, questões raciais, com especial enfoque na diversidade sexual e na luta das mulheres –, Jarid descobriu, através das redes sociais, muitas outras cordelistas que, como elas, procuravam iguais dentro do universo dos cordéis.

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“Me assumir escritora foi um processo difícil, porque faltou referência. Todas as imagens que eu tinha de mulheres escritoras da literatura em geral, nunca era mulheres negras e nem nordestinas, então por muito tempo é difícil a gente acreditar que a gente tem talento suficiente para as pessoas de fato se interessarem pelo o que temos a dizer”, ela diz.

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Hoje, ainda que com somente 26 anos, Jarid já assinou mais de 60 folhetos, com especial destaque às histórias de mulheres negras – como Dandara dos Palmares, Não me chame de mulata, Carolina Maria de Jesus, entre outros. Foi dessa vertente que nasceram os livros “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras”.

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Para saber e se encantar ainda mais com a história de Jarid, você pode visitar seu site, ou escutar o podcast Ex Libris #017, no qual a literatura de cordel e a história da própria Jarid é contada por ela – assim como são recitados alguns de seus folhetos.

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© fotos: divulgação

Via Hypeness

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