Confraria feminina lança cervejas para homenagear mulheres inspiradoras

Uma nova confraria cervejeira promete levar as mulheres ao lugar que sempre lhes pertenceu: atrás e à frente de um copo de cerveja. Além de abrir espaço para que mulheres de diferentes áreas se envolvam no universo cervejeiro, a confraria também promete homenagear figuras femininas marcantes. A primeira cerveja produzida por elas já tem nome: Carolina, uma homenagem à escritora negra Carolina Maria de Jesus, considerada uma das primeiras e mais importantes autoras negras do Brasil.

Eu sentia falta de um projeto com mulheres e sempre quis fazer algo do gênero aqui na Ambev“, conta Beatriz Ruiz, idealizadora do projeto e Gerente de Conhecimento Cervejeiro da Ambev. Ela conta que antes de trabalhar para o grupo atuava no mercado de cervejas artesanais, onde a presença feminina é muito mais marcante.

Gerente da Ambev há dois anos, foi a Goose Island Brewhouse, em São Paulo, o primeiro local a abrir as portas para a ideia – literalmente. Hoje, o espaço reúne um grupo de sete mulheres para a confraria, que ganhou o nome de Goose Island Sisterhood.

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A proposta do projeto não é apenas resgatar a importância das mulheres na fabricação e consumo de cerveja, mas também debater temas relacionados ao empoderamento feminino. Por isso mesmo, apenas duas das mulheres da confraria trabalham de fato com cerveja. As outras são todas mulheres empoderadas que se destacam por sua força e talento em suas áreas de atuação.

Uma das integrantes do projeto é a ativista negra feminista Stephanie Ribeiro, arquiteta e urbanista. Foi dela a ideia de homenagear Carolina na primeira cerveja produzida pelo grupo. “Tinha que ser uma cerveja que tivesse algo diferente. Logo de cara pensei na Carolina Maria de Jesus“, disse ela em entrevista ao Hypeness. A autora era uma mulher negra e brasileira, que vem sendo reconhecida hoje principalmente graças a movimentos feministas que buscam resgatar seu nome e sua obra. “Carolina era mineira. Por isso, a gente usa goiabada“, lembra Stephanie.

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Alguns ingredientes das cervejas, assim como os nomes das homenageadas, são pensados em conjunto, embora as cervejeiras do grupo fiquem responsáveis pelo lado técnico da produção e detalhes de cada receita. Elas são criadas de acordo com a personalidade da mulher que está sendo homenageada no momento. “Para a Carolina, nós criamos uma cerveja ácida e doce“, lembra Beatriz ao comentar que os detalhes foram pensados para refletir o sarcasmo presente em alguns textos da escritora.

Além de Beatriz e Stephanie, também participam da confraria Laura Aguiar (Mestre Cervejeira e Sommelière da Ambev), Marina Bonini Pascholati (Cervejeira do Goose Island Brewhouse SP), Simone Gomes da Silva (Professora), Christiana Pegoraro Marin (Curadora de Conhecimento na Inesplorato), Débora Gotlib (Visagista e Proprietária da Casa Júpiter) e Thamiris Dias (Atriz).

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Para a próxima cerveja da confraria, que rola na terça-feira, 23, a proposta é homenagear Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil. As participantes haviam decidido homenagear uma mulher na área da ciência e escolheram três nomes possíveis. A decisão de quem receberia a homenagem foi feita através do grupo da Confraria do Facebook, do qual já participam 200 mulheres – para solicitar a sua inclusão no grupo, restrito às mulheres, clique aqui.

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A receita criada em homenagem a Enedina é uma double brown ale com pinhão, ingrediente escolhido porque a engenheira foi natural de Curitiba. Por ser reconhecida por sua personalidade forte, a cerveja deverá ser mais maltada e mais alcoólica do que a anterior.

No momento, os rótulos só podem ser adquiridos na Goose Island Brewhouse, em São Paulo. Como elas não são vendidas em garrafas, é possível bebê-las no local ou comprar um growler e enchê-lo com as cervejas do projeto. 100% da verba proveniente das vendas da cerveja será doada a instituições com foco no empoderamento feminino.

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Todas as fotos: Reprodução

Para a cerveja Carolina, a instituição que receberá os valores será o coletivo Di Jejê, que promove cursos, palestras e eventos abertos ao público sobre temas relacionados ao feminismo negro. A instituição beneficiada pelas vendas da Enedina deverá ser definida durante a próxima confraria.

Via Hypeness

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