Maravilhosas CBD: coletivo usa a dança para promover a autoestima de mulheres reais

Como toda mulher, Graziela Meyer faz um monte de coisas ao mesmo tempo: ela é atriz, DJ, performer, dançarina e instrutora de Pole Dance. Além disso tudo, o Carnaval corre em suas veias: ela é passista da União da Ilha da Magia, escola de Florianópolis, Rainha do Bloco da Brasilidades, de Curitiba, e uma das Musas do Bloco Pilantragi, de São Paulo.

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Graziela Meyer, a idealizadora do Maravilhosas Corpo de Baile

Em 2016 a artista criou o projeto ‘Maravilhosas Corpo de Baile – Ame o seu corpo dançando’, uma mistura de aula de dança com encontro entre mulheres que começou como uma forma de experimentar a dança como ferramenta de libertação.

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Aos poucos o grupo acabou se transformando em um coletivo feminino que através da música e da dança busca resgatar e ampliar a autoestima de todas as mulheres envolvidas – tanto as que se encontram nas aulas, as que apresentam-se nas festas e eventos e as que assistem às performances.

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Brincando com vários tipos de dança como Chair Dance, Stiletto, Twerk, Floorwork, Samba, Funk e Axé, mulheres reais superam suas inseguranças ao encontrarem no coletivo a coragem e afeto necessários para aceitarem e terem orgulho de seus corpos.

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Há uma força que nasce de mulheres unidas. Mulheres quando se unem são um tsunami, nada as para. Nossos corpos não existem para serem objetificados ou julgados, existem para serem livres”, conta Graziela.

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No pré-carnaval deste ano, as meninas do coletivo roubaram a cena ao saírem juntas no bloco paulistano Pilantragi: “Quando botamos os nossos corpos na rua e assumimos que são corpos livres e lindos, pois são os corpos que contam as nossas histórias e vivem nossos amores, estamos ajudando a libertar várias mulheres que podem se reconhecer em nós. Mulheres reais, mas não por isso menos maravilhosas. Essa é a nossa revolução“, afirma.

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Atualmente o grupo possui cerca de 40 mulheres de todas as idades que se reúnem às terças e quintas-feiras em um estúdio de dança no bairro de Santa Cecília, SP. Qualquer mulher pode se juntar ao Maravilhosas, basta gostar de dançar. Por enquanto, é preciso pagar uma mensalidade para participar das aulas, mas Graziela já tem planos para voltar o projeto à uma causa social.

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O valor é de 100 reais por mês para fazer aulas uma vez na semana. Tenho muita vontade de fazer um projeto social, aberto à comunidade para as mulheres se reunirem, dançarem e criarem seus próprios núcleos nas suas comunidades. Já estou em conversa com algumas pessoas para fazer isso sair do papel. Provavelmente no segundo semestre deste ano já teremos algumas turmas livres. Por enquanto, tento cobrar um valor razoável que não seja pesado para as alunas e que me permita pagar o aluguel da sala e o meu cachê”, explica.

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Graziela também destaca os laços de afeto que se formam rapidamente e desmente a suposta rivalidade que é sempre atribuída às mulheres.

Esse coletivo só existe por acreditar na força e poder da união entre mulheres. Desde a primeira experiência com o projeto, o que mais chamou atenção foi a rapidez com que estabelecemos laços de afeto. É imediato como todas se incentivam, se ajudam e olham com cuidado e generosidade umas às outras. A gente ouve a vida inteira que mulheres não se gostam e que não podem confiar umas nas outras. O Maravilhosas prova que isso é uma grande mentira. Uma mentira alimentada pelo patriarcado que morre de medo do que podemos fazer ao nos unirmos”.

Para saber mais sobre o Maravilhosas Corpo de Baile visite a fanpage do grupo: www.facebook.com/maravilhosascdb

Imagens: Marcio Paraíso / Ariel Martini / Bruna Toledo

Via Hypeness

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