Ela criou uma boneca com a marca de nascença de sua filha para que a pequena se sentisse representada

A gente não cansa de falar por aqui sobre o quanto a representatividade é importante para as crianças. Sentir que, apesar das diferenças, elas não são as únicas no mundo, pode não ser tarefa fácil, mas é um desafio que muitas mães levam adiante. E, se depender da família da pequena Alice, ela vai sempre se sentir representada.

Alice nasceu com uma síndrome genética rara conhecida como Maccune Albright. A síndrome não tem cura e, entre suas principais características, estão o aparecimento de puberdade precoce, a displasia fibrosa e também a presença de grandes marcas no corpo. Isa Denoni, mãe da menina, conta que descobriu a síndrome por causa do aumento do hormônio responsável pela puberdade precoce. Hoje, com acompanhamento médico, os sintomas estão todos controlados e a menina leva uma vida normal, mas não foi sempre tão simples.

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Quando a Alice nasceu eu passei por um momento de aceitação pessoal“, contou Isa ao Hypeness. “Depois do primeiro mês de vida dela percebi o quanto a minha rotina era igual à rotina de qualquer mãe que tem um bebe de um mês, percebi que o preconceito estava em mim e trabalhei isso!“.

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Em uma publicação no Facebook, a mamãe contou sobre a mudança no comportamento da menina após ganhar uma boneca igualzinha à ela, com as mesmas marcas de nascença. Tudo começou quando Alice ganhou um biquíni de sereia de aniversário de dois anos e se apaixonou pela peça. “Alice é sereia“, dizia a menina toda empolgada!

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Até que um dia a pequena viu a mãe costurando bonecas. O trabalho fazia parte das criações da empresa de artesanato em feltro e patchwork criada por ela, a Craft Time. No início o foco era fazer produtos apenas por encomenda, mas Isa decidiu lançar uma coleção inspirada na artista Frida Kahlo – e, entre os lançamentos, havia algumas bonecas. Foi assim que, mesmo que a Alice nunca tivesse se interessado por bonecas, pediu para que a mãe fizesse uma para ela.

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Quando ela percebeu que a boneca é igual a ela foi uma histeria porque ela nunca viu ninguém com marcas grandes de nascença! Simplesmente ela se viu representada, tanto que ela chama a boneca de amiga, a boneca vai pra piscina com ela, a boneca dorme com ela, a boneca senta na mesa pra almoçar com ela, a boneca vai pro shopping com ela; é como se agora eu tivesse duas filhas, rsrs. Falar que uma criança de dois anos não entende sobre representatividade é uma falácia, ela pode até não entender o conceito mas ela sente a representatividade. Minha filha nunca encostou em uma boneca para brincar e de repente ela tem uma que vai pra cima e pra baixo com ela; ela se sente feliz, ela se sente confortável, ela se sente à vontade, ela se sente representada!“, conta Isa.

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Eu sempre evitei trocar a fralda e as roupas delas em lugares públicos, piscina era sempre de maiô. Querendo ou não, a sociedade não é preparada para lidar com as diferenças e sempre fiz isso para evitar os questionamentos maldosos dos curiosos (tipo ‘ah, coitada’, ‘tadinha’). Depois do biquíni e da boneca as coisas mudaram, o biquíni trouxe a magia dela ser a princesa que ela mais gosta, a Ariel, e também a liberdade de usar biquíni em público sem medo dos questionamentos; e a boneca trouxe um ícone, uma amiga, uma representante.

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Todas as fotos © Isa Denoni

Via Hypeness

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